• Labirinto Artístico-Filosófico 1260
    A esfera e o elefante.
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    A árvore das letras e a estrutura topológica.
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    A experiência do pensar de Martin Heidegger.
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    O objeto topológico e a abertura de mundo.
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    Muito antes de Platão.
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    A eXperiência de Horkay.
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    Um caminho topológico.
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    As nuvens do pensar e poetar.
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    As esferas numinosas que singram o horizonte de meu desejo.
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    Aparentemente um lugar fechado...
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    Revelam-se olhares e im@gens que pensam.
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    Na perspectiva do horizonte, vemos o encontro com o real.
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    A eXperiência estética é forma fundamental do ser.
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    A permanência do guardião topológico.
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    Arte e encontro. Surpresa.
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    A esfera aguardando seu destino.
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    O sentimento de solidão.
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    A mosca é tão pequena.
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    Erschlossenheit.
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    A árvore das letras e a aparição da poesia.
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    O encontro com o perigo.
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    Indicando lugares do pensar em mundos de representação.
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    O mestre e a eXperiência Zen.
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    A eXperiência de Barbosa e o seu destino de ciberliteratura.
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    A eXperiência estética na leitura de Horkay.
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    Quando cantas e quando tocas, muitas imagens produz.
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    Palavra, poesia e pensar na ciberliteratura.
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    Quando a hipérbole se torna um objeto topofilosófico.
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    Quando o abandono é abertura.
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    O encontro da planta com a sua natureza de lexia.

Ao ficionar um sujeito abstrato o racionalismo não o constrói, dissolve-o. A proposição é da filósofa Olgária Matos, e ela nos arranca da habitualidade normativa e cabisbaixa diante da Ciência Normal. Na grave voz de Arnaldo Antunes ela recebe um tônus emocional inigualável. O tema é uma das centenas de recolhas felizes de Bairon em sua pesquisa que relaciona as Ciências Humanas e a Hipermídia. Realizo aqui uma redescrição dela, acrescentando a textura do Sujeito no Labirinto 2000, com a adição do vídeo de Istvan Horkay, The violin suitcase (veja a citação no final da página). A vídeo-textura apresenta um contraste entre a ideia exemplarmente colocada por Olgária juntamente com um dos sintomas da era da técnica, representado no tema tratado pelo vídeo de Horkay, o nazismo. Se partirmos da simples constatação de que a ciência não pensa e, sendo ela a consumação exemplar do pensamento da técnica, a posição de um sujeito abstrato, tomado como puro, pelo nazismo, se torna compreensível sob outro aspecto. Finalizamos a vídeo-textura com a ideia de que a verdade é sem tempo e é indefinível. Essa sentença é colocada como uma resposta à construção do racionalismo. Não se trata de opôr-se à razão, mas de ter presente em nossa mente que ela também tem os seus limites.

     
 

A vídeo-textura trabalha com seis camadas ou layers: a paisagem ao fundo, a interface, a reprodução da pessoa de Horkay engimaticamente segurando uma esfera na ponta dos dedos, o jovem schopenhaueriano e o violino. Permanecendo a interface em azul, os demais elementos se intercambiam com o vídeo, The violin suitcase, de Horkay.

As frases enunciadas são: "ao ficcionar um sujeito abstrato, o racionalismo não o constrói, dissolve-o" e "a verdade é sem tempo e é indefinível". Entre elas eu deixei ser a locução do vídeo de Horkay, principalmente porque a narrativa apresentada nela nos possibilita não cairmos no esquecimento e no soterramento da falta histórica para com a humanidade.

     

O nazismo ficcionou um sujeito abstrato, ideal (puro) na sua concepção psicótica do termo. Esse sujeito somente pode existir na condição da eliminação/extensão dos demais sujeitos declarados como "não puros". Este é o horror do tema atribuído pelo narrador do vídeo de Horkay, um testemunho histórico de algo que a humanidade não deveria jamais esquecer. Aprendemos com Lacan que da nossa condição de sujeito somos todos responsáveis.

Na página do Vimeo, dedicada ao vídeo The violin suitcase, Horkay publica:

"In Prague, a music teacher was forbidden to teach music because of his Jewishness. He kept his valuables in his violin. If the violin could not play music it could be well used as a safe to house a meagre inheritance for his children, three girls and two little boys and a baby. 
Their mother had died of puerperal fever. 
On a house search, drunken fascist authorities demanded to be entertained. They pulled up five chairs and a sofa and sat with the music-teacher’s children on their laps. The lack of resonance in the violin disappointed them. It was a case of bad violinist or bad violin. They could not be bothered to find out. They played a game with the violin teacher. He and his violin could have the privilege of being cremated together or buried together. Bad music was not permissible in a former capital of the German-speaking Austro-Hungarian Empire. With the children now clustered around his knees, the violinist chose to be buried with his violin. That way his children might possibly have a slight chance of one day recovering their meagre inheritance. The authorities were disappointed at the violinist’s calm acceptance of his fate and they seized his youngest child and made her part of the bargain. What did he prize most, his tired violin or his frightened baby? The violinist was silent. They built a pyre in the buttercup field opposite the violinist’s small house and gave him a choice which should be burnt first, his baby or his violin; which was the greatest treasure, his music or his youngest child? The music teacher came out of his frozen trance in horror that such a suggestion could pass through a human imagination. He threw himself at the monster who had suggested such a thing. The violin-teacher was shot, and he was burnt on the pyre with his violin whilst his children watched. When the ashes cooled they went in search of their inheritance which to them was not the contents of the violin but their father’s charred bones. 
The imperishable contents of the violin case were discovered some months later when they came to cut the grass of the buttercup field. There was not so very much in gold but enough to collect, sieve from the wood-ash, and smelt with other Jewish Prague booty and take to a centre collecting-point in Vienna, and then distribute to National Socialist accounts in the Deutsche Bank, including the branch in Baden-Baden managed by Lieutenant’s Harpsch’s brother-in-law. Lieutenant Harpsch collected the bar that contained the meagre inheritance of the violinist’s children, and tried to make that inheritance part of the inheritance of his own child. But he failed because of a white horse".

Luís Carlos Petry. Pesquisador e professor no Programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (MD) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (PUCSP). Filósofo e artista digital. Formação no Liceu de Artes Casa Velha (Novo Hamburgo, RS). Formação em Filosofia Hermenêutica com Ernildo Stein (UFRGS/PUCRS). Formação em psicanálise no Centro de Estudos Freudianos do Brasil. Doutor em Comunicação e Semiótica (2003), pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP. Pesquisador do NuPHG, Núcleo de Pesquisa em Hipermídia e Games da PUCSP e do Cedipp (ECA-USP), Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada.