
Memória e melancolia são os dois elementos que florescem neste trabalho. Horkay presta uma leitura-homenagem ao realizador de cinema Húngaro Béla Tarr. Eu introduzo sobre ele o grid e a ideia da juventude de Heidegger. Sob o áudio contamos com com vigorosas leituras em francês por Silvia Murachco e Izidoro Blikstein, com pontuações de Arnaldo Antunes e Lawrence Shum. O panorama de audibilidade da paisagem sonora é produzido pela audibilidade cênica de Bairon.
A imagem movimento. Com esta fala o vídeo encerra a sua manifestação. A imagem movimento é o cinema. A melancolia é transpassada do texto para a sequência de uma narrativa na qual ciclicamente e de forma isométrica os andarilhos nunca hão de terminar o seu caminho, tal como a série inifita de meu desejo. As imagens tocam o sujeito e fazem retornar ao ponto de partida oculto da memória. As intervenções aqui no vídeo de Horkay são de dois níveis: imagético e auditivo. A banda sonora produzida por Bairon e pertencente ao conjunto da audibilidade reflexiva da Casa Filosófica é colocada sobre o áudio do vídeo que permanece, mas em um volume muito, mas muito discreto. Aplicamos o grid e introduzimos a figura do jovem Heidegger e, ao final, o caminhante da Floresta indicando a sua Holtzweg. |
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Dois homens caminham em meio a um vendaval que sacode a cidade como se ela fosse os pinheiros de uma floresta. Elem caminham juntamente, ao encontro do movimento do vento, indo sempre em sua direção, em meio a toda espécie de coisas e lixos dos mais variados que os ultrapassam sempre. O caminhar dos homens que resiste ao vento, é, entretanto, impulsionado entretanto por ele, mas sempre chega tarde em relação ao vento. A cena de seu caminhar encontra-se postada isometricamente e, de forma virtual na tela, direita e esquerda. O lugar centra é ocupado pelo grid e pelas imagens pareadas do caminhante da Floresta Negra, Heidegger, e pelo artista criador do vídeo base, Horkay. O movimento geral desta manifestação estética leva-me àqueles lugares nos quais impera a melancolia e a impossibilidade da conclusão do caminho. É neste sentido que parece que escuto no mais negro de minha mente a poesia de Nietzsche: o homem é uma corda atada entre o abismo e o além-do-homem ...
Nomina Non Sunt Consequentia Rerum. Este é o título de uma das sessões do Seminário de Lacan. Ela também é uma expressão do nominalismo filosófico de Guilherme de Ockham, a qual pode ser traduzida como: o nome não é consequência das coisas. Mas o significante não pode representar o significante. O significante somente pode representar um sujeito para outro significante: esta é a série infinita que aparece na textura sonora e no caminhar o caminho.
Luís Carlos Petry. Pesquisador e professor no Programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (MD) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (PUCSP). Filósofo e artista digital. Formação no Liceu de Artes Casa Velha (Novo Hamburgo, RS). Formação em Filosofia Hermenêutica com Ernildo Stein (UFRGS/PUCRS). Formação em psicanálise no Centro de Estudos Freudianos do Brasil. Doutor em Comunicação e Semiótica (2003), pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP. Pesquisador do NuPHG, Núcleo de Pesquisa em Hipermídia e Games da PUCSP e do Cedipp (ECA-USP), Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada.