
Nacht und Traüme (Johanner Vermeer) foi o vídeo que me colocou em contato com o trabalho de Istvan Horkay.O título que Horkay havia dado a este trabalho é Nacht und Traume, o que poderia ser traduzido como Noite e Sonho. Imediatamente, como que por um golpe certeiro, eu fui capturado por esta leitura fascinante da obra de Wermmer, na qual ele se serve de uma canção de Schubert. Diz ele na página do vimeo:"Noite e Sonho (Nacht und Traume) consiste em um ciclo de canções para voz e piano de Franz Schubert, escrito em meados de 1820, a partir de um texto-poesia de Matthäus von Collin. No Catálogo Alemão de Otto Erich das obras de Schubert, é o D. 827". O mais interessante era que dois dias antes de conhecer o trabalho de Horkay eu assistira, pela segunda vez, o filme Moça com brinco de pérola (com a direção de Leo Davis). Horkay realiza uma leitura que relaciona a Obra de Vermeer, a música de Schubert, com o trabalho atual do artista e fotógrafo Hendrik Kerstens.
O plano temático deste vídeo somente pode ser vivenciado no interior do Labirinto Artístico-Filosófico. Lembro que, quando encontrei o trabalho de Horkay, e especialmente este, eu o coloquei no centro do Labirinto, diante do vídeo que trabalha a eXperiência do pensar que diz: caminho e balança, ponte e palavra, encontram-se em uma passagem ... o meu vídeo de locução primeria ao poema-pensar. A partir daquele momento, a minha sensibilidade me dizia que deveria deixar o vídeo colado à parede, tal como um perfeito decalque, sem que produzisse alguma modificação qualquer nele, qualquer re-leitura, mas como um índice de minha alegria em encontrar o trabalho do artista. Talvez porque este trabalho em vídeo já condense tanto da nossa história, que eu o afixe nos muro do Labirinto com a finalidade de não me esquecer dela. |
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Hendrik Kerstens realiza uma leitura evolutiva do trabalho de Vermeer. Kerstens fotografa sua filha em inúmeras poses que remetem aos trabalhos de Vermmer, especialmente o chamado Moça com brinco de pérola. Ao participar da exposição de arte em New York, com uma sacola de plástico descartável fazendo o papel da cobertura na cabeça, ele comentou que a foto havia sido tirada como um comentário fotográfico ao número de sacolas que via sendo distribuídas na lojas de New York. O trabalho de Kerstens pode ser conhecido em seu site: http://www.hendrikkerstens.com., e nele temos um texto no qual ele contextualiza o seu trabalho histórico de fotografias, ao modo flamenco e tendo por modelo sua filha Paula. Sem pretender ser um erudito em arte flamenca, o fotógrafo brinca com os ícones da tradição lhe conferindo uma leitura atualizada, sutil e, às vezes, dotada de uma fina ironia e crítica. O trabalho de Horkay atualiza de modo vigoroso esta perspectiva fascinante presente em ambos: Vermeer e Kerstens, acrescentando ainda o lirismo de Schubert.
Tanto a Obra de Vermer como a de Rembrant me fascinaram profundamente durante os anos do Liceu de Arte, com o mestre Marciano. Apaixonados por eles, nós realizávamos estudos e mais estudos a partir de seus trabalhos e sempre andava às voltas com a ideia de realizar um trabalho, principalmente em teatro com a Ronda Noturna (De Nachtwacht). Quando tive a notícia de que Peter Greenaway estava realizando um trabalho com esta maravilhosa obra de Rembrant eu fiquei realmente empolgado. Ainda tenho em meus planos realizar uma leitura de Vermeer e Rembrant, dentro de planos tridimensionais imersivos - mas isso é coisa para o futuro...
Luís Carlos Petry. Pesquisador e professor no Programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (MD) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (PUCSP). Filósofo e artista digital. Formação no Liceu de Artes Casa Velha (Novo Hamburgo, RS). Formação em Filosofia Hermenêutica com Ernildo Stein (UFRGS/PUCRS). Formação em psicanálise no Centro de Estudos Freudianos do Brasil. Doutor em Comunicação e Semiótica (2003), pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP. Pesquisador do NuPHG, Núcleo de Pesquisa em Hipermídia e Games da PUCSP e do Cedipp (ECA-USP), Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada.