
Caminho é a única palavra deste vídeo-textura. Ela já diz tudo, principalmente quando o caminho é um desenho (graphéin).
Ao mesmo tempo em que somos abordados pela musicalidade parcial retirada do Teatro Nô, somos recepcionados pelos trovões que prenunciam a chegada da chuva. Suas gotas podem ser vistas no desenho que é construído durante o vídeo, como gotas ou diamantes. A batida seca é retirada da paisagem sonora do game Myst. Enquanto isso, a tormenta mostra os seus efeitos com o vento soando no seu canto de solidão. Somente a palavra caminho permanece solene ali. O vídeo do desenho de um rosto utilizando-se a tablet é um dos exemplos do uso do Software de desenho artístico ArtRage, uma das maravilhas que mostram que o computador pode ser uma ferramenta e um meio para construírem-se artefatos mais interessantes do que sistemas de contabilidade ou guerra. |
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A imagem que compõe a textura-conceito "graphéin", além da base sígnica, possui a imagem do filósofo durante o seu passeio, a figura do toro kleiniano e o desenho de um olho realizado em computador, ao modo de Man Ray. A imagem é um graphéin no sentido originário do termo, tal como o mostrei em minha tese de Doutorado sobre a topofilosofia (2003).
Luís Carlos Petry. Pesquisador e professor no Programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (MD) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (PUCSP). Filósofo e artista digital. Formação no Liceu de Artes Casa Velha (Novo Hamburgo, RS). Formação em Filosofia Hermenêutica com Ernildo Stein (UFRGS/PUCRS). Formação em psicanálise no Centro de Estudos Freudianos do Brasil. Doutor em Comunicação e Semiótica (2003), pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP. Pesquisador do NuPHG, Núcleo de Pesquisa em Hipermídia e Games da PUCSP e do Cedipp (ECA-USP), Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada.