
O caráter poiético do pensar é ainda // oculto.
Ele denuncia a situação irremediável de incompletude na qual, nós humanos, estamos lançados pela linguagem. Disso deriva que jamais em uma língua o // pronunciado é // o dito.
A forma repousa na forma fundamento. Incompletude - Grundlöss. A estrutura da textura-sonora nos lança em um movimento musical animado, apressado e que tem um certo caráter maníaco. Junto este estado emocional da música de fundo o filosofar entra disruptivamente declarando o estado de ocultamento nos qual nos encontramos. Parte do passeio fílmico do filósofo foi tomado aqui e trabalhado, fotograma a fotograma, dentro do Postworkshop para que eles tivessem um caráter impressionista. As manchas apresentam um tônus emocional análogo ao da musicalidade presente. |
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A palheta de cores aqui é fundamental para a constituição da imagem da textura-conceito "incompletude radical da linguagem". O filósofo filmado em preto e branco é colorizado ao modo de um pontilhismo de caráter impressionista, o que nos lança, se não em uma contradição institucional, ao menos nos coloca dentro da licença que o poetar provê. Em suma: as cores sempre dizem do sujeito algo que vai além e aquém dele. Podem então o traço e a cor falarem da palavra, da linguagem?
Luís Carlos Petry. Pesquisador e professor no Programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (MD) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (PUCSP). Filósofo e artista digital. Formação no Liceu de Artes Casa Velha (Novo Hamburgo, RS). Formação em Filosofia Hermenêutica com Ernildo Stein (UFRGS/PUCRS). Formação em psicanálise no Centro de Estudos Freudianos do Brasil. Doutor em Comunicação e Semiótica (2003), pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP. Pesquisador do NuPHG, Núcleo de Pesquisa em Hipermídia e Games da PUCSP e do Cedipp (ECA-USP), Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada.