
Pensar é a limitação a um // pensamento que // em algum tempo // como uma estrela no céu do mundo // permanece fixo.
A estrutura de camadas do vídeo assemelha-se a experiência do pensar. No seu plano mais próximo temos o ator do teatro Nô realizando em um eterno ciclo a sua performance. Esse plano repetitivo, que é determinado pela repetição da expressividade da textura-sonora permanece solitário por duas das três parcelas do vídeo. Quando entramos na terceira parte do vídeo temos a manifestação da figura do filósofo falando. Trata-se de um fragmento de um palestra de Ernildo Stein, realizada no Instituto Goethe (POA-RS). A estrutura do vídeo, de modo muito simples sugere uma analogia com os três perigos que ameaçam o pensar. O ator Nô recebe as duas primeiras em sua performance: a vizinhança e o pensar mesmo. Com a irrupção do filósofo, indicamos os terceiro perigo, que é o do filosofar. |
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A tela conceitual do vídeo-textura "o pensar e a estrela" apresenta a minha homenagem e reconhecimento ao filósofo Ernildo Stein. Ele é inscrito na mesma estrutura sígnica que nas outras telas eu pinto digitalmente a face de Heidegger. A imagem de Stein mostra a atitude meditativa do filósofo contemplando, na construção da imagem, o ator Nô, em sua representação. Heidegger nos diz no texto que no pensar cada coisa torna-se solitária e lenta. Eis porque há uma solidão na observação do filósofo na imagem da tela conceitual, solidão que é aquela daquele que escala os picos mais altos e desce aos mais profundos abismos. Uma lentidão propositadamente construída na sequencia de imagens do vídeo colocadas no ator Nô, pois essa lentidão faz com que nos aproximemos mais e mais da coisa do pensar e, certamente sejamos lançados ao erro, profundamente.
É nesse sentido que a batida rítmica da textura-sonora de Bairon coloca uma cadência que indica a gravidade do processo: lógica, limitação. O perigo do filosofar traz incremento da temporalidade musical que empresta, ao mesmo tempo um ritmo maior e a nítida sensação de ciclo repetitivo. Talvez seja por isso que pensar seja retornar às coisas mesmas.
Luís Carlos Petry. Pesquisador e professor no Programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (MD) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (PUCSP). Filósofo e artista digital. Formação no Liceu de Artes Casa Velha (Novo Hamburgo, RS). Formação em Filosofia Hermenêutica com Ernildo Stein (UFRGS/PUCRS). Formação em psicanálise no Centro de Estudos Freudianos do Brasil. Doutor em Comunicação e Semiótica (2003), pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP. Pesquisador do NuPHG, Núcleo de Pesquisa em Hipermídia e Games da PUCSP e do Cedipp (ECA-USP), Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada.