
"Topologia. Quando o catavento canta diante, da janela da cabana em uma tempestade ..." Bairon produziu uma variante do caráter expressivo do áudio sobre a estrutura topológica do ser. Ele é mais rápido, mas elétrico e com uma batida mais fortemente marcada que o anterior. O processo de produção do vídeo-textura mostrou então uma modificação essencial, com a ampliação da área de projeção das imagens em movimento no grid do Muro e, com um incremento de imagens reclamando a sua participação.
Uma das imagens do conceito de Lexia (Labirinto, 2000) ocupa o fundo da tela, tendo sobre ela a figura do toro animada e, ao seu lado uma página em grego com o pensamento de um fragmento de Heráclito. O leitmotiv aqui é constituído pelo binômio animação-transformação. As imagens e os objetos ao mesmo tempo em que são animados se transformam, ou seja, sofrem uma transformação topológica. O fundo lexia se metamorfoseia em uma das telas de fundo do Laboratório de topologeria, também pertencente ao Labirinto 2000. Entre fitas de Moebius e um recorte de cristal, as figuras platônicas se sobressaem. O toro dá lugar a andarilha que hesita em sua escolha. Freud, via um trecho de um vídeo de Horkay é convidado à Cena. Tudo isso se dá em um ritmo mais acelerado agora que o da vídeo-textura anterior. |
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Em meus estudos topológicos do pensamento de Lacan eu relacionei espacialmente o duplo toro da garrafa de Klein com o esquema do inconsciente freudiano que chega até o Eu e o Isso. Este movimento é mostrado no vídeo pelo fundo dos duplos toros na construção da garrafa de Klein com a sobreposição do esquema freudiano. Eis algo que ainda poderá ser mais explorado em suas potencialidades, tornando-se mais claro e, ao mesmo tempo mais acessível ao outro do diálogo.
A textura-conceitual de "revisitando a topologia do ser" apresenta uma relação direta com a questão da linguagem: todo ser é um ser de linguagem. A expressão plástica da imagem refere, incide e incita a linguagem oral. Tanto pelos signos ali colocados como pela presença do fantasma amigável de Roland Barthes. A figura do toro coloca-se junto ao centro do esquema neuronal esquemático, enquanto que acima do fantasma de Barthes, paira uma torção da textura-conceitual chamada "povo" (Labirinto, 2000). É a questão da linguagem ordinária se insinuando aqui.
Luís Carlos Petry. Pesquisador e professor no Programa de Pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (MD) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil (PUCSP). Filósofo e artista digital. Formação no Liceu de Artes Casa Velha (Novo Hamburgo, RS). Formação em Filosofia Hermenêutica com Ernildo Stein (UFRGS/PUCRS). Formação em psicanálise no Centro de Estudos Freudianos do Brasil. Doutor em Comunicação e Semiótica (2003), pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP. Pesquisador do NuPHG, Núcleo de Pesquisa em Hipermídia e Games da PUCSP e do Cedipp (ECA-USP), Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada.