One Show 2008: HBO Voyeur
O projeto interativo multimídia “HBO Voyeur” foi o grande vencedor do One Show 2008, escolhido como o “Best In Show”.
Lançada há quase 1 ano, a campanha é toda baseada no voyeurismo, permitindo ao espectador acompanhar e interagir com 12 histórias que ocorrem simultaneamente e se cruzam em Nova York. São 5 locais diferentes, incluindo 8 apartamentos fictícios de um prédio na esquina da Broome Street com a Ludlow Street.
O usuário clica na janela que deseja espiar, e acompanha uma história que parece durar horas mas, na verdade, são apenas 5 minutos de vídeo em loop. O conteúdo foi expandido para celular, atuação em redes sociais e no blog The Story Gets Deeper, onde era possível descobrir mais sobre os personagens que estão sendo observados.
O projeto, da mesma maneira que é apresentado no site, foi exibido em tamanho gigante na fachada de um prédio, justamente entre Broome e Ludlow Street, dando a impressão de estar ocorrendo em tempo real.
Foto via LiveU4 Flickr
Desenvolvido pela BBDO NY, com produção da RSA e da Asylum, o “HBO Voyeur” custou entre 7 e 10 milhões de dólares, levando quase 1 ano para ser concluído. Lembrando que a mesma BBDO NY levou Lápis de Ouro no One Show pelo “outdoor” BBC Cables.
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O link do Youtube pra ver o trailler da campanha é:
http://www.youtube.com/watch?v=P1FOf7Ro2bU&eurl=http://www.brainstorm9.com.br/2008/05/09/one-show-2008-hbo-voyeur/
Já era tendência mesmo a expansão e criação de novos “BBBs”, esse forma de aparece na sociedade escópica e do espetáculo(DEBORD, 1997) sob o imperativo da fama, visibilidade, transparência, segurança e vigilância.
O “ser” visto atentamente é altamente valorizado. Está ligado ao fato de o “grande olho mágico” proporcionar a tão desejada fama, que, supostamente, na sociedade espetacular, possibilita a “singularidade” do
indivíduo (KEHL, 2002b).
Ao se banalizar a invasão da privacidade, “[...] está-se abrindo mão de uma das mais nobres aquisições éticas de nossa cultura, o direito à espontaneidade”; Costa (2001, p.16).
Não nos damos conta que a vida a qual estamos observando minuciosamente poderia ser a nossa. Até por que, não observamos tão atentamente a nossa própria, é estranho o como a do outro nos parece interessar mais. Esses reality show que surgiram nos últimos anos são a novela de antigamente, mas com o gostinho de ser REAL.
Nos bastidores tudo é devidamente encaixado, planejado, para provocar sensações exatas no público, polêmicas previamente “premeditadas”. Para que já assitiu “Truman Show” isso tudo parece familiar, mas com a difereça de que Truman no filme não sabe que está sendo filmado.
A pergunta que surge nesse contexto é: como os participantes do “BBB” etc, longe dos seus amigos e familiares, reagem subjetivamente diante do grande olhar do outro e de tantos outros pequenos olhares, estilhaçados e encontrados nas 38 câmeras, no microfone portado pelo participante, que capta suas falas onde quer que esteja, na observação ao dirigir-se aos pares, porque todos estão proibidos até de escrever bilhetes entre eles, do diretor, do animador e de outras pessoas envolvidas com a organização e funcionamento do programa e milhões de telespectadores assistindo? (Regina P. Abeche)
Seria tudo encenação?
Minha resposta do ponto de vista publicitário: De uma certa forma, sim.
Esta propaganda da HBO foi muito elogiada em Cannes e, segundo o publicitário Alexandre Scaff, representa as novas tendências da propaganda atual: propagandas que não se coloquem de modo impositivo, que sejam criativas, explorem novas mídias e entretenham quem olha. Essa propaganda, a meu ver, foi extremamente efetiva e me fez ficar com canal HBO na mente.